Contábil · 8 min de leitura
Publicado em 8 de agosto de 2026
Depreciação é uma conta simples que quase todo mundo erra em um detalhe: o mês de início, o valor residual ou a vida útil escolhida no chute.
Depreciação é o reconhecimento contábil de que um bem perde valor com o uso e com o tempo. Na prática, ela responde a uma pergunta: quanto vale hoje aquilo que eu comprei há três anos?
O método linear (ou de linha reta) divide a perda igualmente ao longo da vida útil. A fórmula:
Depreciação mensal = (valor de aquisição − valor residual) ÷ meses de vida útil
Exemplo: notebook de R$ 6.000, vida útil de 5 anos (60 meses), valor residual de R$ 600.
É o quanto você espera conseguir pelo bem ao fim da vida útil (venda, sucata, troca). Muita empresa adota zero por simplicidade — e isso é aceitável —, mas em veículos e máquinas pesadas o residual costuma ser relevante e ignorá-lo distorce o resultado. O bem nunca deprecia abaixo do residual: chegando lá, para de gerar despesa e permanece no ativo por esse valor até a baixa.
Para fins fiscais, a Receita publica as taxas anuais no Anexo III da Instrução Normativa RFB 1.700/2017. As mais usadas:
| Tipo de bem | Taxa anual | Vida útil |
|---|---|---|
| Computadores e periféricos | 20% | 5 anos |
| Móveis e utensílios | 10% | 10 anos |
| Máquinas e equipamentos industriais | 10% | 10 anos |
| Veículos de passeio | 20% | 5 anos |
| Caminhões e utilitários | 25% | 4 anos |
| Instalações | 10% | 10 anos |
| Edificações | 4% | 25 anos |
| Ferramentas | 15% | 6,7 anos |
Confira sempre a versão vigente do Anexo III — a tabela é extensa e tem itens específicos por setor.
A tabela acima é o parâmetro fiscal. Para fins societários (CPC 27 / IAS 16), a vida útil deve refletir o uso real esperado: se o seu caminhão roda dobrado e dura 3 anos, é 3 anos que entra na contabilidade societária, mesmo que a Receita aceite 4. A diferença entre os dois critérios é ajustada no LALUR/e-Lalur. Na dúvida sobre qual usar, essa é a conversa para ter com o seu contador — não com um artigo de blog.
A depreciação começa quando o bem está disponível para uso, não na data da nota fiscal. Máquina comprada em março e instalada em maio deprecia a partir de maio. Esse é um dos erros mais comuns em planilha, porque a planilha costuma puxar a data da nota.
Uma planilha de depreciação precisa de uma linha por bem, uma fórmula por mês e alguém revisando o que já zerou. Com 300 bens, são 3.600 células por ano — e basta uma linha copiada errada para o número do balanço sair furado sem ninguém perceber.
Num sistema, você configura vida útil e residual por categoria uma única vez; todo bem novo daquele tipo já nasce com o parâmetro certo, e o saldo contábil de hoje está sempre pronto para o contador. É exatamente o que o QLPatrium calcula sozinho.
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